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Estréia Budapeste, filme baseado no livro de Chico Buarque

José Costa (Leonardo Medeiros) é um ghost-writer. Na volta de um congresso, Costa é obrigado a fazer uma escala imprevista na cidade de Budapeste, o que desencadeará uma série de eventos envolvendo-o em uma surpreendente história. Casado com Vanda (Giovanna Antonelli), uma famosa apresentadora de telejornais, Costa conhece Kriska (Gabriella Hámori) em Budapeste. Com ela aprende húngaro, que segundo dizem, "é a única língua que o diabo respeita". Durante as diversas idas e vindas entre o Rio de Janeiro e Budapeste, Costa alterna entre seu fascínio pela língua húngara transformada em paixão por Kriska e suas raízes pessoais ancoradas no seu amor por Vanda. Budapeste nos leva a uma fascinante viagem de um homem entre dois continentes e divido entre duas mulheres.

"Eu tenho o papel de mim mesmo, sou eu mesmo pedindo autógrafo ao protagonista do meu livro. A única dificuldade é que eu tenho que falar uma pequena frase em húngaro. Então, eu cheguei ontem, e estou, faz 24 horas, repetindo...(risos)"

Sobre sua visita à cidade de Budapeste, Chico confessa: "Escrevi esse livro antes de conhecer a cidade. Então, tinha uma idéia assim onírica dela. E quando eu vim, fiquei com medo de encontrar na realidade uma coisa que imaginei tanto, e foi engraçado porque muita coisa que eu tinha sonhado, realmente, correspondia à realidade, embora o livro nunca tenha tido essa intenção porque não é um livro realista. Mas tem muitas coisas que foi me surpreendendo nesse sentido. Parece que eu tinha adivinhado mais do que sonhado com a cidade."

Walter Carvalho relata a reação de Chico Buarque, ao receber o convite, "Queria que você desse uma de Hitchcock no filme.", disse o diretor, Chico Buarque prontamente respondeu: "Mas você não quer que eu cante, né?", Walter retrucou "Não, de forma alguma, mas você vai descobrir mais tarde o que é, só mais tarde..."

SOBRE O AUTOR CHICO BUARQUE

 

Budapeste, editado pela Companhia das Letras, já conquistou mais de 280.000 leitores e permaneceu entre a lista dos cinco livros mais vendidos no Brasil por mais de 70 semanas.

 

O livro, inclusive, foi vendido para mais de 20 países, Espanha, Portugal, Hungria, França, Alemanha, Holanda, Israel, Itália, Japão, Noruega, Polônia, Japão, Estados Unidos e Inglaterra, são alguns deles. Na Inglaterra, Budapeste foi eleito um dos 10 melhores lançamentos do ano em 2004. E muitos críticos já o consagraram também como uma  “instigante narrativa cinematográfica”.

 

José Costa, o personagem principal de Budapeste, já foi apontado por vários críticos como o grande alter-ego de Chico Buarque. Pois seu trabalho o permite observar e escrever histórias, sem se expor. Uma discrição que o grande compositor sempre almejou para si mesmo.

 

O compositor, cantor e escritor levou dois anos para escrever a narrativa de Budapeste, seu jogo com o tempo e as palavras. Uma história que é uma homenagem à lingua portuguesa, mas que não deixa de ser uma grande história de amor, como mesmo definiu o próprio Chico, com personagens femininas involventes e ideais, como as inesquecíveis heroínas de suas canções.

 

Mas dentro do painel de personagens e histórias de Chico Buarque, Budapeste é uma narrativa masculina, ágil e loquaz. Amorosa e sexual. É também a visão de um homem sobre o amor, as mulheres e o destino.

 

O personagem principal, o ghost-writer Costa, é um eterno insatisfeito com sua vida amorosa, profissional e com seus próprios sonhos. Vive entre Budapeste e Rio de Janeiro, entre suas duas mulheres Vanda e Kriska, entre  a busca da felicidade e o desencanto. 

 

Cada um de nós é mesmo um lugar de encontro de muitos romances, de muitos começos e de muitas narrativas possíveis. Somos feitos de histórias que se realizam ou não, onde o narrar e ser narrado, se confundem, onde criador e criatura têm a mesma voz.

 

 


DO LIVRO AO FILME

 

Como disse Caetano Veloso, “Budapeste é talvez o mais belo dos três livros da maturidade de Chico”, ao que José Saramago completa: “Chico ousou muito, escreveu cruzando um abismo sobre um arame e chegou do outro lado. Ao lado onde se encontram os trabalhos executados com maestria, a da linguagem, a da construção narrativa, a do simples fazer. Não creio enganar-me dizendo que algo novo aconteceu no Brasil com este livro”.

 

Os direitos de filmagem de Budapeste foram negociados pela Nexus Cinema. E a também produtora, Rita Buzzar, começou a adaptá-lo para o cinema, assim como fez com Olga.

 

“Li o livro, pela primeira vez, numa madrugada. Comecei a ler às 11 horas  da noite e terminei às 4 horas da manhã. Depois li várias vêzes, tentando já montar uma primeira estrutura. Só então tomei coragem de fazer uma proposta.” Relata a produtora e também roteirista.

 

“Conheci pessoalmente o Chico no dia da assinatura do contrato de cessão de direitos do livro, e começamos a conversar. Queria muito que ele desse sugestões sobre a adaptação. Num terceiro encontro, ficamos por cinco horas conversando sobre as dúvidas que eu tinha sobre o livro. Sobre a interpretação e impressão que  tive dele. Lembro que a sala foi invadida por aleluias, aqueles insetos de verão, e acabamos não ligando as lâmpadas. A sala foi sendo devorada pela escuridão, mas mesmo assim continuávamos a falar sobre o livro”.

 

Foi depois que escreveu três tratamentos do roteiro, que Rita ofereceu o texto, pela primeira vez, para Chico ler: “Ao todo, foram sete versões. Fui, aos poucos,  tomando a liberdade de inventar outras situações, que não existem no livro, e são específicas no roteiro. Mas sempre com o conhecimento de Chico.”

 

Foi apenas depois de um ano, que Walter Carvalho foi escolhido para dirigir o filme.

DIRIGINDO BUDAPESTE

 

Walter Carvalho foi o diretor escolhido para fazer BUDAPESTE. A sua grande experiência como Diretor de Fotografia, em grandes filmes como Central do Brasil, de Walter Salles, foi definitiva.

 

Segundo ele mesmo afirma “Depois do agradável susto de ser escolhido, veio a responsabilidade. Pois Chico Buarque é uma instituição nacional.”

 

“É um filme cuja história não está fora do personagem. A personagem é a própria história.” Reflete Walter, que continua: “Ele, ao mesmo tempo, escolhe ser o outro, para ser ele mesmo. E, assim, também a cidade Budapeste para mim é uma ficção e também uma realidade quando é o filme. É uma ficção quando eu a olho. A realidade não me interessa. Interessa a distância que existe entre o real e o não só real, aquilo que eu vejo e aquilo que eu não vejo. A espinha dorsal deste filme é o livro, a base de todo conceito. Todo desenvolvimento da história é centrada no livro, mas há desvios, diferenças sobre a literatura e o cinema. Quando lê a palavra “chuva” dentro do livro, você, como leitor imagina uma chuva. Pode ser uma chuva de granizo, pode ser uma chuva fina, pode ser uma tempestade, pode ser uma chuva torrencial, pode ser uma chuva momentânea… Mas quando você filma uma chuva e mostra na tela, você condena o espectador a só entender a chuva daquele jeito que foi filmado. A chuva é aquela que está alí. A mímese é definitiva quando você a projeta.”

 

 


PRODUZINDO BUDAPESTE

 

Ao todo foram quatro anos de esforços para levar o livro de Chico Buarque para as telas, pois haviam muitas complicações: as quatro semanas de filmagens em Budapeste, a questão do ator principal (Leonardo Medeiros) aprender e falar húngaro, o próprio desafio de fazer um filme falado em português e em húngaro, a vinda de atores estrangeiros para interpretar papéis importantes no Brasil, a construção da estátua de Lênin, entre outros tantos problemas de cenografia.

 

Foram necessários dois anos e três viagens para que fosse encontrada uma empresa parceira húngara, a Eurofilm, que tivesse condições para financiar um terço do projeto e que, assim, cobrisse parte dos custos de produção das filmagens na Hungria.

 

O desafio final foi a construção da estátua de quase 30 metros e seu transporte pelo Rio Danúbio, para viabilizar a importante cena da chegada do personagem Costa na cidade de Budapeste.

 

Elenco: Giovanna Antonelli • Leonardo Medeiros • Paola Oliveira • Debora Nascimento • András Bálint • Djoko Rossich • Nicolau Breyer • Gabriela Hámori • Antonie Kamerling • Ivo Canellas
Direção: Walter Carvalho
Gênero: Drama
Duração: 01:53 min
Classificação:  16 anos


 
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