|
De 14 a 21 de junho acontece a Semana Municipal de Incentivo à Doação de Medula Óssea. A ação é realizada pela Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE), em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde, a Associação da Medula Óssea de São Paulo (AMEO) e o Hemocentro da Santa Casa de São Paulo. As entidades concentram esforços para divulgar a importância da doação e oferecem à comunidade informações sobre os procedimentos relacionados a doação voluntária.
Os interessados em fazer o cadastro como doador voluntário devem dirigir-se ao Hemocentro da Santa Casa de São Paulo de segunda-feira a sexta-feira, das 7h às 18h; no sábado das 7h às 15h. O doador precisa ter entre 18 e 55 anos e estar em bom estado de saúde.
O Hemocentro da Santa Casa de São Paulo é o único local da cidade apto a realizar o cadastro dos doadores. Ele consiste no preenchimento de uma ficha de identificação (necessário o número RG e CPF) e coleta de um simples exame de sangue para o teste de compatibilidade (tipagem HLA). Os dados do doador e a tipagem HLA serão cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). Quando aparecer um paciente com a medula compatível com a do doador (a) ele (a) será chamado.
Após esta etapa, novos testes sanguíneos serão necessários para a confirmação da compatibilidade. Se confirmada, o voluntário será consultado para decidir a doação e avaliação do estado de saúde.
Segundo o Redome, o grande problema na doação é a necessidade de 100% de compatibilidade da medula óssea entre o doador e o receptor. A chance de encontrar uma medula compatível no registro brasileiro é em média 1 em 100 mil. Um irmão ou familiar HLA compatível (antígenos leucocitários de histocompatibilidade) é considerado o melhor doador, mas de 25% a 30% dos pacientes encontram a solução na família.
COMO É FEITA A DOAÇÃO DE MEDULA ÓSSEA
Existem três formas de doar as células-tronco hematopoéticas ou células progenitoras (chamadas também de células-mãe) da medula óssea. A primeira relaciona-se à coleta das células diretamente de dentro da medula óssea (nos ossos da bacia), a outra por filtração de células-mãe que passam pelas veias (aférese). Outra fonte de células-tronco é sangue do cordão umbilical e placentário.
A punção é realizada com agulha especial e seringa na região da bacia, de onde é retirada a quantidade de medula (tutano do osso) equivalente à uma bolsa de sangue. O doador é anestesiado para não sentir dor, procedimento que dura em média 60 minutos. A sensação do doador é semelhante a uma queda ou uma injeção oleosa, com duração de dois a quatorze dias. Não é uma cirurgia, por isso não tem cortes ou pontos. O doador fica em observação por um dia no hospital.
No caso da coleta feita pela veia, o procedimento é realizado pela máquina de aférese. O doador recebe um medicamento por cinco dias que estimula a multiplicação das células-mãe, que migram da medula para as veias e são filtradas. O procedimento dura em média quatro horas, quando se obtém o número adequado de células. O efeito colateral mais frequente causado pela medicação é dor no corpo semelhante a uma gripe.
Já em relação ao sangue do cordão umbilical e da placenta, as células-tronco circulam no sangue do feto assim como no corpo das crianças e dos adultos. Na circulação do feto, a concentração e o potencial da formação de células-tronco nas células do sangue é ainda melhor do que as do sangue dos adultos. Em vez de ser descartado, o sangue pode ser cuidadosamente drenado para um recipiente plástico esterilizado. A suspensão com as células-tronco poderá ser congelada e utilizada para um transplante numa data posterior.
Cabe ao médico decidir sobre qual a melhor forma de coleta de células, dependendo da doença e da fase em que se encontra o paciente. A reconstituição da medula óssea será rápida para o doador, que possui medula sadia e bom estado de saúde. Em casos especiais e raros, como compatibilidade com outra pessoa, o doador poderá doar novamente a medula óssea. |